6 em Cada 10 Demitem a Geração Z nos Primeiros Meses. O Problema São Eles ou a Sua Liderança?
Robson Vitorino · 19 de setembro de 2026 · 3 min de leitura

Se você conversar com dez diretores de RH hoje, pelo menos oito vão reclamar da mesma coisa: "A Geração Z não aguentam pressão", "Eles não têm maturidade", "Não aceitam feedback".
As pesquisas confirmam o choque: cerca de 60% das empresas dispensam profissionais recém-formados dessa geração em poucos meses de contrato. Diante desse cenário, a reação mais fácil dos comitês executivos tem sido fechar as portas para os mais jovens e buscar apenas "profissionais sêniores e experientes".
Se essa é a estratégia da sua empresa, tenho uma má notícia: você está criando um prazo de validade curto para o seu próprio negócio.
Até 2025, a Geração Z representará 25% da força de trabalho global. A questão crucial não é se a Geração Z cabe no mercado de trabalho — mas se o seu modelo de liderança ainda cabe no mundo atual.
O mito do jovem "mimado" e a realidade do Brasil real
Há um erro crasso acontecendo no RH de grandes empresas: importar sem filtro os recortes e diagnósticos sobre a juventude norte-americana e aplicá-los ao jovem brasileiro.
No Brasil, quase 75% da população está nas classes C, D e E. Para a imensa maioria dos jovens brasileiros da Geração Z e Millennials, o trabalho nunca foi uma opção estética ou um "estilo de vida": é uma necessidade premente de sobrevivência.
A escassez de recursos desde cedo molda indivíduos com um nível de resiliência, adaptabilidade e viração que poucas gerações anteriores tiveram. O jovem brasileiro sabe trabalhar duro. O que ele não aceita mais é trabalhar sem sentido, sob autoritarismo cego e sem perspectiva de escuta.
O diagnóstico psicanalítico: Liderar não é falar, é escutar
Por que o choque cultural é tão violento? Porque os modelos tradicionais de liderança foram construídos sobre a lógica do comando e controle: o chefe fala, o subordinado obedece.
Como psicanalista, recorro frequentemente aos ensinamentos de Jacques Lacan sobre a linguagem. O sujeito só se constitui na relação com o "Outro". É na fala e na escuta que o indivíduo constrói seu sentimento de pertencimento e valor. Quando uma liderança sufoca a voz do colaborador, ela sufoca também o seu engajamento.
O educador Rubem Alves resumiu isso de forma brilhante ao dizer que "escutar é complicado e sutil... por isso os sábios nunca falam, apenas escutam".
A Geração Z não busca chefes autoritários que deem palestras de moral no ambiente de trabalho. Eles buscam guias que saibam praticar a escuta ativa. Quando um líder abre mão da postura rígida e se dispõe a ouvir as angústias, ideias e visões do liderado, ele não perde autoridade — ele ganha relevância e engajamento genuíno.
5 Passos para adaptar sua gestão e reter novos talentos
Se a sua empresa quer atrair e prosperar com a inteligência da nova geração, o caminho exige ajustes estruturais:
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Troque o comando pela escuta: Crie rituais de feedback bidirecional. O jovem precisa sentir que a voz dele altera o ambiente.
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Conecte a tarefa ao propósito: Explique o porquê antes de exigir o como. Ninguém da Gen Z se engaja em cumprir processos burocráticos sem entender a utilidade final.
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Ofereça flexibilidade com responsabilidade: Modelos híbridos e gestão focada em entregas (e não em horas sentadas na cadeira) são inegociáveis.
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Desmonte o preconceito do RH: Pare de julgar a resiliência do candidato pelo currículo acadêmico e comece a avaliar a bagagem de vida e a capacidade de adaptação.
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Invista na saúde mental dos líderes: Gestores sobrecarregados não conseguem escutar ninguém. A maturidade do time começa no equilíbrio da liderança.
O futuro do seu negócio depende da capacidade de integrar a vivência dos mais experientes com a energia, inquietude e fluidez dos mais novos.
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Robson Vitorino é CEO da MAXTA Human Intelligence, psicanalista, autor e professor colaborador do IBMEC.
Perguntas frequentes
Sobre o autor
Robson VitorinoCEO e fundador da MAXTA Human Intelligence
Especialista em inteligência comportamental, liderança e saúde organizacional. À frente da MAXTA, desenvolve análises baseadas em DISC e Big Five para apoiar pessoas e empresas em decisões de carreira, gestão e cultura.
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