Brincadeira ou Assédio? Como identificar e conter comportamentos inadequados no trabalho
Robson Vitorino · 23 de setembro de 2026 · 2 min de leitura

Na época do meu primeiro estágio, presenciei uma cena marcante. Havia uma estagiária muito bonita no setor, e diariamente gestores de outros andares desciam até a mesa dela não apenas para dar "bom dia", mas para pedir que ela se levantasse e desse "uma voltinha". Anos depois, já como gestor, acompanhei a chegada de um profissional estrangeiro com perfil estético de modelo; o frisson entre as colegas e os comentários de conotação física viraram rotina no escritório.
Há quem olhe para essas histórias antigas e comente com nostalgia: "Antigamente podia tudo, agora o mundo ficou chato e cheio de mimi".
A verdade nua e crua é outra: o mundo não ficou chato; ele apenas parou de tolerar o desrespeito travestido de brincadeira.
Os dados do Conselho Nacional de Justiça mostram um crescimento vertiginoso nas ações trabalhistas por assédio moral e sexual no Brasil. E o impacto disso vai muito além dos tribunais: afeta a reputação da marca, destrói o clima organizacional e paralisa a produtividade.
A regra de ouro: O foco do ambiente de trabalho é a produção
O ambiente profissional reúne pessoas com formações, valores e idades completamente diferentes. E a única forma de garantir a harmonia é compreender o conceito de etiqueta corporativa.
A etiqueta nada mais é do que a "pequena ética": o conjunto de boas maneiras que viabiliza a convivência naquele espaço.
Num estádio de futebol, gritar e comemorar faz parte da dinâmica. Num hospital, exige-se silêncio. Na empresa, o foco absoluto deve ser o respeito interpessoal e a entrega de resultados. Comentários sobre o corpo do colega, piadas de cunho sexual, intimidações veladas e piadas depreciativas nunca foram "brincadeira" — sempre foram falta de educação e violação da dignidade.
Como proteger sua empresa e criar um ambiente seguro?
Para evitar que o medo de más interpretações paralise o trabalho em equipe, a liderança deve agir de forma preventiva:
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Código de Conduta objetivo: Defina o que é conduta adequada e o que caracteriza assédio moral e sexual.
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Canais de denúncia isentos: Ofereça aos colaboradores um meio seguro e anônimo para relatar desvios.
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Treinamento contínuo: Promova palestras que eduquem os líderes sobre como cobrar resultados sem recorrer ao assédio moral ou à humilhação.
O bom senso individual não basta para nortear uma organização. O respeito é o pilar inegociável para quem quer atrair e reter talentos de verdade.
Sua empresa possui políticas claras de prevenção ao assédio?
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Robson Vitorino é CEO da MAXTA Human Intelligence, psicanalista, autor e professor colaborador do IBMEC.
Perguntas frequentes
Sobre o autor
Robson VitorinoCEO e fundador da MAXTA Human Intelligence
Especialista em inteligência comportamental, liderança e saúde organizacional. À frente da MAXTA, desenvolve análises baseadas em DISC e Big Five para apoiar pessoas e empresas em decisões de carreira, gestão e cultura.
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